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Hospital Brasiliense realiza 1ª cirurgia cardíaca à beira-leito em recém-nascido

Simone Marvelli
Por Simone Marvelli 6 de abril de 2026
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6 Min de leitura
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Procedimento realizado na pequena Ester foi considerado um sucesso; bebê recebeu alta hospitalar na última quinta-feira (26)

Após nove meses de gestação e um parto bem-sucedido, a vida da pequena Ester, nascida em 29 de janeiro no Hospital e Maternidade Brasiliense, da Hapvida, mudou drasticamente ainda na primeira semana. A mãe, a dona de casa Bárbara Lorena Rodrigues, de 31 anos, percebeu algo diferente: a filha respirava com muito esforço. Ao retornar à unidade de saúde, situada no Distrito Federal, foi constatado um problema congênito que levou à realização da primeira cirurgia cardíaca à beira-leito em recém-nascido na história do hospital, feita em 18 de fevereiro. “Foi um baque. A gente não esperava. Quando ela foi intubada, no dia seguinte, entendemos a gravidade da situação”, conta Bárbara, que vem enfrentando a situação junto ao marido, o policial militar Samuel Souza Leite.

“Desde o princípio, a equipe médica conversou com a gente, explicou como tudo ia funcionar. A linha de frente, a Roberta Lengruber [coordenadora da UTI pediátrica e neonatal] e o Pedro Lourenço [diretor médico] sempre se mostraram empenhados em resolver a situação da nossa filha. Essas pessoas que nos atendem diariamente são excepcionais”, afirma.

Diagnóstico

Roberta Lengruber explica que Ester foi diagnosticada com PCA (persistência do canal arterial), condição em que uma estrutura que deveria se fechar após o nascimento permanece aberta, comprometendo a circulação sanguínea. “Quando o bebê nasce e dá o primeiro respiro, a circulação começa a se reorganizar. Esse canal arterial deveria se fechar naturalmente. No caso da Ester, simplesmente não fechou”, explica a médica, que ressaltou ainda que o canal muitas vezes pode levar até semanas para ficar anatomicamente completamente fechado, mas que funcionalmente deveria funcionar como fechado nos primeiros dias.

Diante da evolução do quadro clínico e da ausência de resposta ao tratamento medicamentoso, a equipe multidisciplinar decidiu por uma medida inédita na unidade: realizar uma cirurgia cardíaca à beira-leito, diretamente na UTI neonatal, evitando o deslocamento da recém-nascida e reduzindo riscos associados ao transporte e à instabilidade clínica.

Complexidade técnica

Lengruber explica que a cirurgia consistiu no fechamento do canal arterial por meio de uma abordagem minimamente invasiva, guiada por ultrassom. “É uma cirurgia sem necessidade de abrir o tórax ou manipular diretamente o coração. O cirurgião acessa a artéria por um pequeno corte lateral e realiza o fechamento com um clipe, em uma estrutura extremamente delicada e muito pequena”, detalha.

“Apesar disso, a cirurgia sempre envolve riscos importantes. É quase um trabalho de arte manual. Por isso, além do cirurgião cardíaco, participaram anestesista, cardiologista pediátrica para monitoramento contínuo com ecocardiograma, intensivistas, enfermeiros e fisioterapeutas”, ressalta a médica.

Marco assistencial

A realização da primeira cirurgia cardíaca beira-leito em recém-nascido no Hospital e Maternidade Brasiliense, da Hapvida, representa um avanço importante na assistência neonatal de alta complexidade. O procedimento demonstra a capacidade técnica da instituição, a integração entre especialidades e o investimento contínuo em estrutura e qualificação profissional para atendimento de casos críticos desde os primeiros dias de vida.

Recuperação progressiva

O resultado foi imediato: 24 horas após o procedimento, exames já indicavam melhora significativa na circulação e na função cardíaca. “Depois da cirurgia, conseguimos respirar mais aliviados. A gente temia muito o pós-operatório, mas foi melhor do que os dias anteriores, quando ela estava bem debilitada”, relata a mãe.

Após recuperação na UTI neonatal, Ester teve alta na última quinta-feira (26).

“Embora a cirurgia tenha sido um sucesso, ela vai precisar de uma atenção especial. Mas a expectativa é de que ela tenha uma vida normal”, comemora Barbara, que já é mãe também de Lívia, 7, e Israel, 2.

Cuidados

De acordo com o Ministério da Saúde, em cada mil crianças que nascem no Brasil, dez apresentam alguma cardiopatia congênita. Isso equivale a cerca de 30 mil bebês por ano, e em média 40% deles precisam passar por cirurgia ainda no primeiro ano de vida.

Sobre a Hapvida

Com mais de 80 anos de experiência, a Hapvida é hoje a maior empresa de saúde integrada da América Latina. A companhia, que possui mais de 77 mil colaboradores, atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia espalhados pelas cinco regiões do Brasil.

Todo o aparato foi construído a partir de uma visão voltada ao cuidado de ponta a ponta, a partir de 85 hospitais, 74 prontos atendimentos, 364 clínicas médicas e 309 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial, além de unidades especificamente voltadas ao cuidado preventivo e crônico. Dessa combinação de negócios, apoiada em qualidade médica e inovação, resulta uma empresa com os melhores recursos humanos e tecnológicos para os seus clientes.

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