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Inteligência artificial na advocacia: Até onde a tecnologia pode substituir o julgamento humano?

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 13 de julho de 2026
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8 Min de leitura
Gilmar Stelo e Stelo Advogados Associados
Gilmar Stelo e Stelo Advogados Associados
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Como advogado e fundador do Stelo Advogados, Gilmar Stelo apresenta que a Inteligência Artificial (IA) na advocacia deixou de ser um tema restrito a laboratórios de tecnologia para ocupar espaço nas reuniões de sócios de escritórios, departamentos jurídicos e tribunais. Ferramentas capazes de analisar milhares de documentos em poucos minutos, localizar precedentes, revisar contratos e sugerir minutas processuais já fazem parte da rotina de inúmeros profissionais. Diante desse cenário, é possível acompanhar uma transformação que vai além da modernização tecnológica e passa a influenciar a própria forma como o Direito é exercido.

Contents
A revolução tecnológica chegou definitivamente ao Direito?Se a IA aprende tão rápido, por que ainda não substitui o julgamento humano?O maior risco está na IA ou na forma como ela é utilizada?Como utilizar IA com segurança jurídica?O futuro pertence às máquinas ou aos profissionais que sabem utilizá-las?

Ao mesmo tempo em que a Inteligência Artificial amplia a produtividade e reduz atividades repetitivas, ela também desperta questionamentos importantes. Afinal, até onde uma máquina pode participar da tomada de decisões jurídicas? Quais são os riscos de confiar excessivamente em algoritmos? E, principalmente, quais competências continuarão sendo exclusivamente humanas em uma profissão construída sobre interpretação, argumentação e responsabilidade? Compreender essas questões tornou-se essencial para escritórios, empresas e profissionais que desejam inovar sem abrir mão da segurança jurídica.

A revolução tecnológica chegou definitivamente ao Direito?

Poucas áreas lidam diariamente com um volume tão grande de informações quanto o Direito. Leis, decretos, regulamentos, contratos, pareceres, jurisprudência e decisões judiciais formam um universo documental que cresce continuamente. A Inteligência Artificial surgiu justamente para enfrentar esse desafio, utilizando algoritmos capazes de organizar dados, identificar padrões e acelerar pesquisas que antes consumiam horas ou até dias de trabalho.

Na avaliação do Doutor Gilmar Stelo, esse avanço representa uma mudança estrutural para a advocacia contemporânea. A tecnologia permite que atividades operacionais sejam executadas com muito mais eficiência, liberando tempo para análises estratégicas, planejamento jurídico e construção de soluções personalizadas para clientes. Em vez de substituir o conhecimento técnico, a Inteligência Artificial amplia a capacidade do profissional de interpretar informações complexas.

Outro fator que impulsiona essa transformação é a digitalização do próprio sistema de Justiça. Processos eletrônicos, audiências virtuais, assinaturas digitais e bancos públicos de jurisprudência criaram um ambiente favorável ao desenvolvimento de ferramentas inteligentes. O resultado é uma advocacia cada vez mais conectada à tecnologia, mas também mais dependente da qualidade das informações utilizadas.

Se a IA aprende tão rápido, por que ainda não substitui o julgamento humano?

A rapidez impressiona. Em poucos segundos, sistemas baseados em IA conseguem resumir centenas de páginas, localizar decisões semelhantes e apresentar respostas estruturadas para perguntas complexas. Essa capacidade faz surgir uma dúvida recorrente: se a tecnologia consegue realizar tantas tarefas, por que ainda não pode substituir completamente um advogado?

Conforme observa o Doutor Gilmar Stelo, a principal limitação está justamente naquilo que diferencia informação de julgamento. O Direito não funciona apenas pela aplicação literal das normas. Cada processo envolve circunstâncias próprias, interesses conflitantes, aspectos econômicos, sociais e humanos que exigem interpretação cuidadosa. Um algoritmo identifica padrões estatísticos, mas não compreende valores, contexto ou consequências práticas de determinada decisão.

A atuação jurídica também envolve negociação, estratégia e prevenção de conflitos. Assim, muitas vezes, o melhor resultado não decorre de uma ação judicial, mas da construção de um acordo, da revisão de um contrato ou da reorganização de procedimentos internos de uma empresa. São decisões que exigem experiência profissional, percepção de riscos e capacidade de adaptação a cenários que mudam constantemente.

Gilmar Stelo e Stelo Advogados Associados
Gilmar Stelo e Stelo Advogados Associados

O maior risco está na IA ou na forma como ela é utilizada?

O crescimento da Inteligência Artificial trouxe benefícios inegáveis, mas também revelou limitações importantes. Casos recentes demonstraram que algumas plataformas generativas chegaram a produzir jurisprudências inexistentes, interpretações incorretas da legislação e referências bibliográficas que jamais foram publicadas. Em ambientes jurídicos, falhas dessa natureza podem gerar consequências relevantes para clientes e organizações.

Segundo o Doutor Gilmar Stelo, esse cenário reforça a necessidade de compreender a Inteligência Artificial como uma ferramenta de apoio, jamais como substituta da responsabilidade técnica do advogado. Toda informação produzida por sistemas automatizados deve passar por verificação humana, especialmente quando envolve elaboração de pareceres, estratégias processuais ou interpretações legislativas.

Além da precisão das informações, cresce a preocupação com aspectos relacionados à proteção de dados, confidencialidade e transparência dos algoritmos. Escritórios de advocacia lidam diariamente com documentos estratégicos e informações sensíveis, tornando indispensável avaliar cuidadosamente quais plataformas oferecem níveis adequados de segurança e conformidade com a legislação brasileira.

Como utilizar IA com segurança jurídica?

A adoção responsável da Inteligência Artificial exige planejamento, governança e definição de critérios claros para sua utilização. Automatizar tarefas repetitivas pode aumentar significativamente a produtividade, mas decisões estratégicas continuam dependendo da análise criteriosa de profissionais qualificados. Sob essa perspectiva, o Doutor Gilmar Stelo destaca que a inovação deve caminhar lado a lado com boas práticas de governança jurídica. Isso significa estabelecer protocolos internos para validação das informações produzidas pela IA, investir na capacitação das equipes e adotar ferramentas compatíveis com exigências relacionadas à privacidade, proteção de dados e sigilo profissional.

Também se torna cada vez mais importante desenvolver uma cultura organizacional voltada ao uso consciente da tecnologia. A Inteligência Artificial oferece respostas rápidas, mas nem sempre produz respostas corretas. Saber formular perguntas adequadas, interpretar resultados e reconhecer limitações passou a ser uma competência tão relevante quanto conhecer a legislação ou acompanhar a jurisprudência.

O futuro pertence às máquinas ou aos profissionais que sabem utilizá-las?

A história demonstra que grandes avanços tecnológicos raramente eliminam profissões inteiras. Em vez disso, eles modificam a forma de trabalhar e aumentam o valor das competências que não podem ser automatizadas. A advocacia parece seguir exatamente essa trajetória.

De acordo com a análise do Doutor Gilmar Stelo, os profissionais que mais se destacarão nos próximos anos serão aqueles capazes de combinar domínio técnico, pensamento estratégico e utilização inteligente das novas ferramentas digitais. A tecnologia continuará evoluindo, mas continuará dependendo da capacidade humana de interpretar fatos, compreender conflitos e tomar decisões responsáveis.

Nesse contexto, o papel do advogado tende a tornar-se ainda mais estratégico. Enquanto algoritmos processam dados em velocidade crescente, profissionais do Direito permanecem responsáveis por interpretar normas, construir soluções, negociar interesses e garantir que a inovação ocorra dentro dos princípios éticos e jurídicos que sustentam o Estado de Direito. A IA representa uma das maiores transformações da advocacia moderna, mas seu verdadeiro potencial só será alcançado quando utilizada como instrumento para fortalecer, e não substituir, o julgamento humano.

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