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Tecnologia

Google leva protocolo A2A à Agentic AI Foundation e acelera padrão aberto para agentes de IA

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 17 de agosto de 2026
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8 Min de leitura
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Mudança anunciada em 17 de agosto busca consolidar uma linguagem comum para agentes de inteligência artificial desenvolvidos por diferentes empresas.

Contents
O que é o A2A e por que o protocolo pode ser importanteA2A e MCP resolvem problemas diferentes da inteligência artificialAgentes interoperáveis podem mudar a forma como usamos a internet

O ecossistema de inteligência artificial deu mais um passo para resolver um problema que pode se tornar decisivo na próxima geração da tecnologia: fazer agentes criados por empresas diferentes conseguirem trabalhar juntos. Nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, foi anunciada a transição do Agent2Agent Protocol (A2A), padrão aberto originalmente desenvolvido pelo Google, para a Agentic AI Foundation (AAIF), iniciativa vinculada à Linux Foundation e dedicada ao desenvolvimento de tecnologias abertas para sistemas de IA agêntica. A mudança não representa a primeira transferência de governança do A2A — o Google já havia doado o projeto à Linux Foundation em 2025 —, mas coloca agora o protocolo em uma fundação especificamente concentrada no ecossistema de agentes de IA. (Axios) A intenção é reduzir a fragmentação do mercado e permitir que agentes construídos em plataformas diferentes descubram capacidades, troquem informações e coordenem tarefas sem que cada integração precise ser desenvolvida do zero.

O que é o A2A e por que o protocolo pode ser importante

O Agent2Agent nasceu no Google e foi apresentado publicamente em abril de 2025 como um protocolo aberto para comunicação entre agentes de inteligência artificial. Em vez de exigir que dois sistemas utilizem o mesmo modelo, framework ou fornecedor de nuvem, o A2A estabelece mecanismos comuns para que agentes independentes possam descobrir uns aos outros, trocar informações e coordenar tarefas. A proposta é particularmente importante para ambientes empresariais, nos quais uma companhia pode utilizar simultaneamente softwares e modelos fornecidos por diferentes empresas. (Google Developers Blog)

Na prática, imagine uma empresa utilizando um agente para atendimento ao cliente, outro para consultar estoques, um terceiro para logística e outro para pagamentos. Sem padrões comuns, integrar todos esses sistemas pode exigir conexões personalizadas e manutenção permanente. Com A2A, a intenção é criar uma camada padronizada de comunicação, permitindo que um agente identifique as capacidades oferecidas por outro e delegue determinadas tarefas sem precisar conhecer seu funcionamento interno. (A2A Protocol)

Essa arquitetura também ajuda a explicar por que o protocolo ganhou rapidamente atenção de grandes empresas de tecnologia. Quando o projeto passou para a Linux Foundation em junho de 2025, já contava com apoio de mais de 100 companhias, e nomes como AWS, Cisco, Google, Microsoft, Salesforce, SAP e ServiceNow estavam entre os participantes iniciais do projeto sob governança aberta. (Linux Foundation) O interesse mostra que interoperabilidade pode se transformar em uma infraestrutura essencial caso agentes autônomos realmente passem a executar uma parcela crescente das atividades digitais.

A2A e MCP resolvem problemas diferentes da inteligência artificial

Uma dúvida frequente é a diferença entre o A2A e o Model Context Protocol (MCP), outro padrão que ganhou espaço no desenvolvimento de aplicações baseadas em inteligência artificial. Embora estejam inseridos no mesmo ecossistema, os dois protocolos possuem funções complementares. O MCP concentra-se principalmente na conexão de aplicações e agentes a ferramentas, sistemas e fontes de dados, enquanto o A2A procura estabelecer a comunicação entre os próprios agentes. (Google Developers Blog)

Um exemplo ajuda a visualizar a diferença. Um agente responsável por organizar uma viagem poderia utilizar MCP para acessar ferramentas ou dados necessários à tarefa, enquanto A2A poderia ser utilizado para conversar com outro agente especializado em determinada etapa do processo. Em sistemas empresariais maiores, essa combinação permite imaginar redes formadas por vários agentes especializados, cada um responsável por uma função e capaz de colaborar com os demais sem exigir que todos tenham sido construídos pela mesma companhia.

É justamente essa visão que torna a transferência para a Agentic AI Foundation relevante. A AAIF foi criada em dezembro de 2025 sob a Linux Foundation, inicialmente ancorada por contribuições como MCP, goose e AGENTS.md e com participação fundadora de Anthropic, Block e OpenAI. (Linux Foundation) Ao levar o A2A para essa estrutura específica, o ecossistema aproxima em uma mesma organização projetos fundamentais para a interoperabilidade da IA agêntica. A mudança pode facilitar discussões sobre padrões técnicos, compatibilidade e governança em um momento no qual diferentes fornecedores estão lançando seus próprios agentes.

Agentes interoperáveis podem mudar a forma como usamos a internet

A importância do A2A aparece quando se observa a direção que a inteligência artificial está tomando. Os primeiros chatbots generativos ficaram conhecidos principalmente por responder perguntas e produzir textos, imagens ou códigos, mas agentes representam uma proposta mais ambiciosa: sistemas capazes de receber objetivos, utilizar ferramentas, interagir com outros serviços e executar sequências de tarefas. Para que esse modelo alcance grande escala, agentes desenvolvidos por organizações diferentes precisarão conseguir colaborar de maneira previsível e segura.

A interoperabilidade também pode reduzir a dependência de um único fornecedor. Uma empresa poderia, em princípio, escolher agentes especializados de diferentes plataformas e conectá-los por meio de padrões compartilhados, em vez de concentrar toda a sua infraestrutura em um ecossistema fechado. Esse princípio lembra a própria construção da internet, que conseguiu conectar dispositivos, servidores e organizações diferentes porque protocolos comuns permitiram que sistemas independentes trocassem informações.

Ainda existem desafios importantes, principalmente relacionados a identidade, autenticação, autorização e segurança. Quando agentes deixam de apenas fornecer respostas e passam a executar ações, uma comunicação maliciosa ou uma autorização inadequada pode produzir consequências concretas. Pesquisas sobre A2A já destacam riscos em sistemas multiagentes, incluindo falsificação de identidade, repetição indevida de tarefas, escalada de privilégios e ataques de prompt injection. (arXiv) Isso significa que interoperabilidade precisará avançar junto com mecanismos capazes de determinar quais agentes são confiáveis, quais informações podem receber e quais operações estão autorizados a executar.

A transferência do A2A para a Agentic AI Foundation em 17 de agosto de 2026 mostra que a disputa pela próxima geração da inteligência artificial não envolve somente quem possui o modelo mais poderoso. Existe também uma corrida silenciosa para definir os protocolos que permitirão que esses sistemas conversem, encontrem ferramentas e executem tarefas em conjunto. (Axios) Se agentes de IA se tornarem tão comuns quanto aplicativos e serviços web, padrões como A2A e MCP poderão funcionar como parte da infraestrutura invisível que mantém esse ecossistema conectado. Para empresas e desenvolvedores, isso abre a possibilidade de combinar tecnologias de fornecedores diferentes; para usuários, pode significar uma internet na qual vários agentes especializados trabalham conjuntamente nos bastidores para executar tarefas cada vez mais complexas.

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