Nova empresa aposta na conexão direta entre satélites e smartphones e amplia corrida mundial para levar sinal móvel a regiões sem cobertura.
A corrida para conectar celulares diretamente a satélites ganhou um novo concorrente em 17 de agosto de 2026. Lynk Global e Omnispace anunciaram a conclusão da combinação de seus negócios e a criação da Elveo Mobile, companhia voltada ao desenvolvimento de serviços Direct-to-Device (D2D), tecnologia que permite integrar satélites diretamente às redes utilizadas por celulares e outros dispositivos. A operação reforça uma transformação importante no setor de telecomunicações: em vez de depender exclusivamente de torres terrestres, operadoras poderão utilizar infraestrutura espacial para complementar sua cobertura.
Como funcionará a conexão direta entre satélites e celulares
A proposta da Elveo é transformar satélites em uma extensão das redes móveis terrestres, permitindo que dispositivos compatíveis mantenham comunicação mesmo em regiões onde torres convencionais não estão disponíveis. A tecnologia Direct-to-Device pretende reduzir a dependência das tradicionais antenas específicas utilizadas pelos serviços de internet residencial via satélite. A companhia pretende utilizar sua infraestrutura para conectar smartphones, equipamentos de Internet das Coisas, veículos e outros dispositivos.
A fusão reúne tecnologias desenvolvidas pela Lynk e pela Omnispace, incluindo recursos relacionados a satélites de baixa órbita, espectro e integração com redes móveis. A empresa afirma que sua infraestrutura será preparada para tecnologias 5G e redes não terrestres (NTN), aproximando os sistemas espaciais dos padrões utilizados pelas operadoras convencionais. Essa integração é importante porque pode permitir que a transição entre uma rede terrestre e uma conexão via satélite aconteça de maneira cada vez mais simples para o usuário.
A Elveo também chega ao mercado apoiada por relacionamentos comerciais construídos pelas empresas antes da fusão. Segundo informações divulgadas no anúncio da operação, a companhia reúne acordos envolvendo dezenas de operadoras móveis e parceiros internacionais de distribuição. Essa estrutura poderá acelerar a implantação comercial da tecnologia, embora disponibilidade, funcionalidades e preços ainda dependam de acordos locais e autorizações regulatórias em cada país.
SES amplia investimento e fortalece infraestrutura espacial
A criação da Elveo ganhou força com a participação da SES, uma das principais operadoras globais de satélites. Em 17 de agosto, a companhia anunciou a ampliação de seu investimento estratégico e da colaboração com a nova empresa. A parceria envolve infraestrutura espacial e terrestre, engenharia, operações, questões regulatórias e desenvolvimento comercial dos futuros serviços Direct-to-Device.
Uma das características mais importantes da estratégia está na possibilidade de combinar diferentes órbitas. A rede de baixa órbita planejada pela Elveo poderá trabalhar junto aos ativos que a SES já possui em órbitas média e geoestacionária. Cada arquitetura apresenta características diferentes de cobertura, capacidade e latência, permitindo que uma infraestrutura híbrida seja utilizada para diferentes necessidades de comunicação.
Para as operadoras móveis, essa combinação pode representar uma nova maneira de ampliar cobertura sem instalar torres em todos os locais atendidos. Construir estações de telefonia em regiões pouco povoadas, estradas extensas ou áreas geograficamente difíceis pode exigir investimentos elevados. A utilização de satélites como complemento não elimina a infraestrutura terrestre, mas pode preencher lacunas onde sua expansão não é economicamente viável.
Internet via satélite pode reduzir áreas completamente sem sinal
O principal impacto da tecnologia poderá aparecer justamente nas chamadas zonas de sombra das redes móveis. Regiões rurais, rodovias, áreas marítimas e operações industriais afastadas dos grandes centros ainda apresentam dificuldades de conectividade em diversos países. A conexão direta por satélite cria uma alternativa para manter algum nível de comunicação nesses locais sem exigir necessariamente uma estação terrestre próxima.
Isso não significa que os satélites substituirão rapidamente fibra óptica, Wi-Fi, 4G ou 5G. Redes terrestres continuam oferecendo enorme capacidade em áreas urbanas e são fundamentais para transportar grandes volumes de dados, enquanto sistemas espaciais possuem limitações próprias de capacidade, espectro e disponibilidade. O cenário mais provável é o desenvolvimento de uma internet híbrida, na qual diferentes tecnologias são utilizadas de acordo com a localização e a necessidade do usuário.
A criação da Elveo mostra que essa transformação está deixando de ser apenas uma possibilidade tecnológica para se tornar uma nova frente de competição comercial. Empresas espaciais, operadoras e fabricantes estão buscando integrar redes terrestres e satélites em uma mesma infraestrutura de telecomunicações. Se os projetos Direct-to-Device atingirem escala global, ficar completamente sem sinal poderá se tornar menos comum, especialmente durante viagens ou em regiões remotas onde atualmente não existe cobertura celular convencional.
Fontes:
- SES — fonte oficial: confirmou em 17/08 a ampliação do investimento estratégico e da colaboração com a Elveo Mobile, incluindo infraestrutura espacial e terrestre, engenharia, operações, espectro e suporte regulatório. (SES)
SES — Strategic Collaboration with Elveo Mobile - PR Newswire — anúncio da Lynk e Omnispace: informa que a fusão foi concluída em 14 de agosto de 2026 e que a nova Elveo já possui acordos comerciais com mais de 50 operadoras móveis e parceiros presentes em mais de 60 países. (PR Newswire)
Lynk e Omnispace anunciam conclusão da fusão e Elveo Mobile - Advanced Television — 17/08/2026: cobertura especializada sobre a conclusão da operação, a criação da Elveo e a estratégia de conectividade Direct-to-Device em múltiplas bandas. (Televisão Avançada)
Lynk/Omnispace merger wraps - Lynk — anúncio original da fusão: documento da própria companhia explicando a estratégia de combinar espectro da Omnispace, tecnologia de satélites da Lynk e infraestrutura multi-órbita da SES. (Lynk)
Lynk — anúncio da fusão com a Omnispace
