Criminosos usam dados pessoais, deepfakes e comprovantes falsos gerados por IA para tornar fraudes financeiras mais convincentes em 2026.
Os golpes que usam o Pix como porta de entrada para fraudes financeiras ganharam um novo nível de sofisticação neste ano, impulsionados pelo uso de inteligência artificial. É o que aponta um levantamento da ESET, empresa especializada em segurança digital, que descreve uma mudança relevante na forma como os criminosos abordam as vítimas. Em vez de mensagens genéricas e cheias de erros de português, como era comum até pouco tempo atrás, o golpe agora começa com informações precisas sobre a pessoa, incluindo nome e cidade, construindo uma narrativa que soa familiar e reduz a desconfiança inicial. A dúvida que fica para quem usa o Pix no dia a dia é: como reconhecer um golpe que parece cada vez mais real?
Como a inteligência artificial mudou o golpe do Pix
Segundo o alerta da ESET, o uso de inteligência artificial potencializa a engenharia social por trás das fraudes, tornando o convencimento das vítimas mais rápido e mais preciso. Isso acontece porque os criminosos combinam vazamentos de dados pessoais com ferramentas de geração de texto e imagem, criando abordagens personalizadas em uma escala que antes exigiria muito mais tempo manual. O resultado é um golpe que imita, com detalhes, a linguagem e o contexto de instituições ou pessoas conhecidas da vítima.
Outro ponto de atenção envolve os chamados deepfakes, vídeos e áudios manipulados digitalmente para simular a voz ou a imagem de terceiros. Já circulam conteúdos falsos com autoridades públicas anunciando supostas mudanças no Pix ou novas taxações, um tipo de material que tende a ficar ainda mais realista e mais difícil de identificar à medida que a tecnologia avança. Segundo blogs especializados em segurança digital, também há geradores de comprovantes de pagamento feitos por IA, que replicam com fidelidade fontes, logotipos e códigos de autenticação usados por grandes bancos brasileiros.
De acordo com levantamento da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor, cerca de 28 milhões de brasileiros foram vítimas de golpes envolvendo o Pix em 2025, com pessoas acima de 50 anos representando mais da metade dos casos registrados. O prejuízo total relacionado a fraudes com Pix e boletos chegou a bilhões de reais no mesmo período, segundo dados do setor, o que reforça a dimensão do problema para o sistema financeiro brasileiro como um todo.
Por que o Pix continua sendo o alvo preferido dos golpistas
O próprio funcionamento do Pix explica parte da atração que ele exerce sobre criminosos digitais. A ferramenta oferece transferências instantâneas, disponíveis 24 horas por dia, e a reversão de valores enviados por engano ou fraude costuma ser mais difícil do que em outros meios de pagamento, como boleto ou TED. Essa combinação de rapidez e baixa reversibilidade cria um ambiente propício para golpes que dependem de agir antes que a vítima perceba o problema.
O Banco Central tem ampliado, ao longo do último ano, uma série de mecanismos de segurança para tentar reduzir esse risco. Entre as medidas estão o bloqueio de chaves Pix associadas a atividades suspeitas e a verificação obrigatória de CPF ou CNPJ junto à Receita Federal antes da conclusão de determinadas transações. Ainda assim, especialistas reforçam que nenhuma dessas ferramentas elimina totalmente o risco, já que boa parte dos golpes depende da ação voluntária da própria vítima, convencida por uma narrativa bem construída.
O que fazer para se proteger de golpes com Pix
Diante desse cenário, especialistas em segurança digital recomendam alguns cuidados simples, mas eficazes. O primeiro é desconfiar de qualquer contato que crie senso de urgência, mesmo que a mensagem pareça vir de uma instituição confiável ou de um contato conhecido. Confirmar a informação por um canal alternativo, como ligar diretamente para o banco ou para a pessoa supostamente responsável pelo pedido, ainda é uma das formas mais seguras de evitar cair em uma fraude.
Também vale reforçar a autenticação em duas etapas nas contas bancárias e nos aplicativos de mensagens mais usados no dia a dia, já que o roubo de contas costuma ser o primeiro passo de muitos golpes mais elaborados. Em caso de Pix recebido por engano, o procedimento seguro é usar a função de devolução dentro do próprio aplicativo do banco, e não seguir instruções alternativas enviadas por terceiros. Diante da sofisticação crescente das fraudes digitais em 2026, especialistas reforçam que a atenção redobrada, especialmente diante de mensagens que parecem vir de conhecidos ou de órgãos públicos, continua sendo a principal defesa do usuário comum.
Fontes consultadas:
Security Leaders | SEGS | Panorama Seguro
